PARABÉNS À FEIRA DE ARTESANATO DO BOM FIM HOJE BRIQUE DA REDENÇÃO PELOS 44 ANOS!!
A história da atual Feira, a mais conhecida do Sul do Brasil, ponto clássico da cultura gaúcha, o “Brique da Redenção”, Patrimônio Cultural do RS desde 26 de outubro de 2005, através da Lei nº 12.344, sancionada pelo então governador Germano Rigotto, traz até nós um registro do esforço e da determinação de um grupo de artesãos do próprio bairro.
A idealizadora deste grande projeto foi Berenice Aurora de Medeiros, junto ao seu marido, Paulo Filber, e os artesãos Panela e Sônia, Marconi e Diva, Gerson e Leda, Naira e Beco, Zezé, César, Renato, Osvaldo e Luizel. Estes foram os artesãos pioneiros desta história tão importante para todos os artesãos até os dias de hoje.
Berenice, uma gaúcha de Passo Fundo, tinha um propósito maior. Abandonou seu curso de Psicologia antes de concluir o último estágio, e Paulo deixou de atuar como professor de Educação Física concursado do Estado para dedicarem-se totalmente ao artesanato. Paulo produzia brinquedos de madeira, e Berenice dedicou-se à pintura em madeira no estilo Bauer (Bauernmalerei), em utensílios domésticos, placas e demais peças decorativas. Nessa época, Berenice era conhecida como a “Artesã Mãe” da Feira de Artesanato do Bom Fim.
Foi um período muito difícil. Berenice peregrinou muito entre o poder público, recebeu muitos “nãos”, foi hostilizada, mas não desistiu. Argumentou, contra-argumentou e continuou a lutar pelo que acreditava: encontrar um lugar central onde os artesãos pudessem expor seus trabalhos com dignidade e tivessem o devido reconhecimento. Até que encontrou o Sr. Ivaldo Gonçalves, o “Marecha”, professor de Educação Física do Estádio Ramiro Souto, administrado pela Secretaria Municipal de Cultura. Ele então cedeu a cancha de esportes para uma primeira Mostra de Artesanato.
E foi assim que, em um fim de semana de abril de 1982, nos dias 23 e 24, tornou-se realidade.
Eram 44 artesãos, duas escolas de artesanato e duas cooperativas — a turma das ilhas do Guaíba e da Colmeia. Os artesãos expuseram seus trabalhos ao som da Banda da Brigada Militar, alegrando a população, que foi conferir o evento muito bem divulgado pelos órgãos de comunicação da cidade.
Como o espaço se tornou pequeno, foi necessário reivindicar uma área anexa, “a pracinha”, em frente ao canteiro ocupado atualmente pelo artesanato. Foi então que o Sr. João Mano José, titular da Secretaria Municipal de Produção, Indústria e Comércio, em 1982, liberou a praça para a realização da Feira de Artesanato. Porém, como a SMIC não era a SMAM (Secretaria Municipal do Meio Ambiente), o grupo de artesãos não pôde permanecer naquele espaço.
E, como artesão não desiste fácil, atravessaram a rua permanecendo até os dias atuais. Ali somavam-se 172 artesãos titulares e cerca de 250 pessoas envolvidas com a Feira de Artesanato do Bom Fim.
Inaugurada oficialmente em 24 de abril de 1982, um ano depois, em 22 de março de 1983, a Feira foi oficializada através do Decreto nº 8.193.
E a Feira do Bom Fim está de aniversário! Graças à perseverança de um grupo de artesãos que devemos, para sempre, honrar e agradecer.
“O passado sempre fará parte da história que se vive hoje.”RSY
Texto; Rosane T. Lancini Sebastiany
REFERÊNCIAS:
JORNAL DA ARTEFIMPorto Alegre, dez./83 – ano 1 – nº 1HORA DO BRIC – p. 4JORNAL DA ARTEFIM – 23 e 24/04/83FOLHA DA TARDE – 27 e 28/03CORREIO DO POVO – 15/04/82ZERO HORA – 31/03